sábado, 14 de novembro de 2009

Guerra à papelada! - ou seja, saber dizer...







...É fazer o que creio ser uma boa sugestão... (...para não dizer um IMPERATIVO DE CIDADANIA CONSCIENTE):

Afixar o dístico “PUBLICIDADE AQUI NÃO” na caixa do correio!


A QUEM AINDA NÃO AFIXOU, SUGIRO A SEGUINTE EXPERIÊNCIA:

(1) colocar num saquinho toda a publicidade que recebe na caixa de correio (e deitaria fora) ao longo de uma semana;

(2) pesar esse saquinho no fim-de-semana, e multiplicar o resultado por 52 (as 52 semanas do ano), para ter uma estimativa de quanto papel está a consumir sem usar no período de um ano;

(3) se esta experiência for feita nos períodos de marketing mais agressivo, em Dezembro designadamente, os resultados serão “estrondosos”…!


A QUEM NÃO SE IMPRESSIONA COM RESULTADOS DE PESAGENS, FAÇO UMA PEQUENA OBSERVAÇÃO: Os custos com publicidade, em particular com a que ninguém lê, têm forçosamente o efeito de encarecer os produtos, ou seja, quem acaba por pagar o desperdício de papel (de várias formas) é o consumidor – …se recebe (passivamente) a publicidade, está a “consumi-la” para todos os efeitos…



Os autocolantes amarelos “PUBLICIDADE AQUI NÃO” para colocação nas caixas do correio deixaram de ser distribuidos nas estações dos CTT. Actualmente, são apenas fornecidos pelo organismo que os edita, a DIRECÇÃO-GERAL DO CONSUMIDOR, sita na Praça Duque de Saldanha, nº 31, em Lisboa… ou seja, para quem vive e/ou trabalha em Lisboa, basta atravessar a passadeira em frente da porta dos cinemas do edifício Monumental… (Logo à entrada do prédio da D.G.C., na portaria, são entregues pequenas quantidades do autocolante, a quem as solicitar.)
















Como alternativa a essa deslocação, e uma vez que NÃO recomendo uma maçadora visita ao Portal do Consumidor (http://www.consumidor.pt/), restam quatro hipóteses, bem mais expeditas (pelo menos as 3 primeiras…):

(a) Enviar e-mail pedindo o envio gratuito por correio convencional (não esquecer de indicar o endereço postal!), para qualquer parte do país, de alguns autocolantes (meia-dúzia...), para a Direcção de Serviços de Comunicação ao Consumidor, que pertence à Direcção-Geral do Consumidor, por exemplo para o seguinte endereço electrónico:
joao.homem@dg.consumidor.pt

(b) Imprimir e afixar o dito autocolante (que fica aqui disponível em formato digital) – ESTA É A MELHOR OPÇÃO!;

(c) Escrever num papelinho, manualmente ou não, as TRÊS PALAVRAS QUE TÊM FORÇA DE LEI, relativamente à expressão da vontade de não receber publicidade não endereçada, “PUBLICIDADE AQUI NÃO”, e colá-lo… Não é o “autocolante oficial” que a Lei nº 6/99 impõe que seja respeitado, mas sim a vontade livre do cidadão, expressa clara e legitimamente!

(d) Caso se vejam perante a sistemática vandalização do autocolante/dístico (em particular pelos distribuidores de publicidade), sugiro que sejam as “vítimas” a vandalizarem as suas próprias caixas de correio, utilizando uma variada gama de estratégias de “bricolage” (eis um bom eco-desafio!): podem desaparafusar a tampa da caixa de correio e experimentar os vossos dotes de pirogravura ou entalhe na madeira (LOL) ou recorrer a um serralheiro caso seja metálica (LOL), podem aparafusar com jeitinho uma placa de vidro previamente perfurada sobre o autocolante, podem pincelar várias demãos de verniz ou cola sobre o autocolante – esta é mais prática…, etc. :-) --- Agradeço, desde já, a quem deixar comentários com outras sugestões e estratégias!


… POR ESTAS E POR OUTRAS, TERMINO FAZENDO UMA SUGESTÃO QUE ME PARECE MESMO A MELHOR DE TODAS: SENSIBILIZAR OS VIZINHOS A…


COLOCAR O DÍSTICO “PUBLICIDADE AQUI NÃO”, AMPLIADO, NA PORTA DO PRÉDIO!
(eficazmente colado no vidro, do lado de dentro, se tal for possível, ...ou junto dos botões das campainhas, com alguma forma de "blindagem" associada…)

REIVINDIQUEM ESTA DELIBERAÇÃO NAS REUNIÕES DE CONDOMÍNIO, SE FOR ESSE O CASO!

ESTA DECISÃO DEVE INCLUIR UM ACORDO EM NÃO PERMITIR O ACESSO AO INTERIOR DO PRÉDIO (nos casos em que as caixas de correio são interiores) AOS DISTRIBUIDORES DE PUBLICIDADE (com o respectivo “despejo” de um volume desproporcionado de papel algures…) e, neste ponto particular, têm relevo as questões de segurança pois, em muitos prédios, basta tocar a todas as campainhas dizendo “Publicidade!” no intercomunicador, e logo a porta é aberta por alguém… --- Sugiro uma RESPOSTA-STANDARD pelo intercomunicador: "Desculpe não abrir, mas EU NÃO RECEBO PUBLICIDADE..." (os vizinhos também ouvirão esta resposta, se atenderem ao toque - é uma acção de sensibilização indirecta... LOL)

NÃO BAIXEMOS OS BRAÇOS PERANTE O ESCANDALOSO DESPERDÍCIO DE MUITÍSSIMAS TONELADAS SEMANAIS DE PAPEL, EM PARTICULAR NOS GRANDES CENTROS URBANOS!!!

A “INDISPONIBILIDADE” DO AUTOCOLANTE NAS ESTAÇÕES DE CORREIOS, NÃO SENDO INOCENTE, JÁ NÃO É DESCULPA… VAMOS NÓS, CIDADÃOS, DISTRIBUI-LO EM FORMATO DIGITAL, IMPRIMI-LO E OFERECÊ-LO…! (ah... e colá-lo no vidro do carro, do lado de dentro, na área das escovas do limpa-pára-brisas... sim, porque a "perseguição" assume outras modalidades...)


COMEÇANDO POR NÓS MESMOS, VAMOS FAZER TODA A DIFERENÇA.


Saudações ecológicas!




30 comentários:

Incitador disse...

Ana,
Concordo com tudo excepto com a recomendação de utilização de vinil (PVC). O PVC, é um material extremamente nefasto e cuja produção deveria ser descontinuada (para não dizer proibida).

Cumps.
Incitador

Madalinês disse...

Deixo aqui um beijinho muito grato à Ana Loichot, muito honrada pelo convite que me fez de colaborar neste Decrescimento. Espero que ela goste e ache úteis as minhas intervenções, e que os frequentadores de O Decrescimento sejam da mesma opinião...

Penso que ela aqui estará como o LADO RURAL, isto é, a contra-corrente, o DECRESCIMENTO DE UMA VEZ POR TODAS, e eu estarei como o LADO URBANO, a versão "em suaves prestações" de um DECRESCIMENTO MAIOR DIA APÓS DIA, e as respectivas estratégias de resistência...

A "Madalinês" sou eu em simbiose... :-)
...com o meu grande aporte de energia e motivação, Inês de seu nome... O esforço é para ela e para todas as crianças.

Madalinês disse...

Incitador, confesso a ignorância... Não sabia que vinil também era PVC...! :-(
Deixei a sugestão porque é aquela, de entre as que vi serem adoptadas por aí, que parece ser a mais eficaz/durável, para impedir as sistemáticas vandalizações feitas pelos distribuidores de publicidade...
Agradeço muito se deixar alguma técnica alternativa como sugestão... (o vidro não pode ser aparafusado...)! Peço ajuda, então, para reformular esse parágrafo, quando puder...
Nota importante: Também há que pôr nos pratos de balança, por um lado, o impacto ambiental negativo de uma placa pequena de vinil (do tamanho do autocolante) e, por outro lado, o impacto ambiental positivo da disuasão eficaz do desperdício de enormes quantidades mensais de papel (isto nos grandes centros urbanos) durante vários anos...
Cumprimentos lisboetas!

voz a 0 db disse...

O autocolante de nada serve!
Coloco este autocolante à séculos... os primeiros eram arrancados...passei a colar com super cola e ainda lá está, será em breve substituído por novo pois já está a ficar pouco legível...
Mas de nada vale... tenho sempre a caixa de correio atulhada de papel... destino? Reciclagem sem direito a leitura!
outra técnica que tenho é aproveitar os envelopes de RSF que várias empresas utilizam para nos bombardear com tretas e junto essa publicidade não endereçada que me despejam na caixa de correio, coloco nesses envelopes RSF e lá vai ela... Assim eles vêm como é bom receber inutilidades,e melhor, pagam para recebê-la!!!

Incitador disse...

Madalinês,
Um pequeno vidro espesso com 2 furos para ser aparafusado (sem forçar!) pode ser uma solução...

Nós, que temos preocupações ecológicas, devemos procurar boas soluções e não soluções menos más, do ponto de vista ambiental. O menos mau não resolve, adia! (Isto faz me lembrar um livro muito interessante comentado aqui: http://incitador.blogspot.com/2009/08/conciliar-o-inconciliavel.html)

Madalinês disse...

Voz a Zero Decibeis, obrigada pelo comentário! :-)
Essa ideia de usar os envelopes RSF para enviar lixo-pub (com custos para o destinatário) a quem entope de lixo-pub a caixa de correio de quem nada solicitou, à primeira vista, também me pareceu excelente...
Mas depois, pensando melhor, vi que não leva a nada... Estaremos nós a fazer circular mais papelada, num esforço em vão de que a mensagem seja interpretada...; não, a mensagem nem sequer existirá, porque as entidades, as empresas, não têm autocrítica, não têm alma, só têm prejuízos, se os tiverem...! Neste caso, estas recepções de publicidade não endereçada via envelopes RSF é meramente contabilizada nos custos associados à utilização dos mesmos nas estratégias comerciais, e quem, em última análise, vai pagar esses custos todos são os consumidores finais daquilo que é publicitado...
SE ESSE COMPORTAMENTO FOSSE ADOPTADO EM MASSA, essas empresas simplesmente DEIXARIAM DE UTILIZAR OS ENVELOPES RSF, não deixariam de distribuir publicidade não endereçada... Penso eu de que...

Ana Loichot disse...

Madalena, quem agradece sou eu, porque estou para aqui atirada no meio dos montes e não posso saber tudo o que se anda a passar.(alias se houver mais pessoas interessadas em colaborar...)
Tenho de discordar contigo no que toca ao "decrescimento de uma vez por todas!", vertente rural sem duvida, mas eu não sou de forma nenhuma uma radical rigida, e acredito que as mudanças se vão fazendo á medida da nossa felicidade. Faço o que consigo neste momento, quando isso se tornar uma coisa intuitiva posso avançar para outras coisas! De toda a forma, apesar de estar gravado no imaginário portugues, eu não acredito que se pode mudar NUM dia. Vai-se mudando e crescendo. O importante neste momento é despertar consciências.
Ana

Ana Loichot disse...

Quanto á publicidade, porque não ir fazendo um monte e devolve-lo ao destinatário! Bem gostava de ver a cara deles :)

Madalinês disse...

Incitador, obrigadíssima pelos comentários e sugestão! :-)
Já editei o Post, com a devida vénia...
Concordo com o repúdio ao "menos mau", claro. O certo é que por vezes, o "bom-mesmo-bom" não está disponível, pelo menos à primeira vista... Daí, também, ser essencial trocar ideias, debater, na demanda das melhores respostas a dar aos problemas que todos enfrentamos.
Eco-saudações a todos os resistentes à publicidade não endereçada!

Ana Loichot disse...

Outra idea, porque não fazemos uma acção publica:
Durante um mês guarda-se toda a publicidade recebida, depois levamos todos em conjunto ao ministério publico ou á alta entidade para a publicidade ou outra qualquer que possa ser pertinente!

Madalinês disse...

APOIADO!!!
UM GRANDE APLAUSO PARA UMA BELÍSSIMA IDEIA!!!
Ideias complementares:
- organizar grupos locais
- incitar a colaboração das escolas!
- recolha durante 1 mês, A PARTIR DE DATA PRÉ-DEFINIDA, particular e em espaços cedidos por associações ou entidades/empresas sensibilizadas ("armazéns-depósitos" provisórios)
- voluntários por freguesias recolhendo papel nos cestos à porta dos prédios (agora sistematicamente colocados em Lx! ...e que dp vão sistematicamente ser despejados pela porteira ou serviço similar no lixo indiferenciado!) DURANTE ESSE MÊS
- depósito da totalidade dessa recolha num DIA PRÉ-DEFINIDO no mais emblemático local de cada grande cidade (Lisboa: Terreiro do Paço"; Porto - Av. dos Aliados, em frente do edifício da C.M.P.; Coimbra - Pátio das Escolas, na Universidade; etc.)
- O mês de Dezembro será sem dúvida o mais eficaz-escandaloso, pena que nada poderá organizar-se com eficácia já para Dezembro de 2009... (mas para 2010, sim, e será uma campanha a começar agora! - força Ana!!!)
- Poderia chamar-se a esta iniciativa O NATAL NÃO É COMPRAR - PUBLICIDADE AQUI NÃO!
- sugiro as datas 25/11-25/12/2010! (aproveitando o feriado e a "bondade natalícia" das pessoas, também...)

Ké ke acham???

Madalinês disse...

O pior é se calha estar a chover...

Fica pasta de papel... ai as escorrências...! :-(

Lá se vai o sucesso mediático... O tuga também não sai de casa com chuva...

Madalinês disse...

Já sei! Em Lisboa, poderia ser por baixo da "pala" do Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações...

Ana Loichot disse...

Madalena em grande forma! Bravo

Se calhar era melhor fazer num fim de semana antes ou depois do Natal.
Quanto á chuva pode-se arranjar um toldo para por os papeis, assim não escorre. Saí de casa quem tiver vontade suficiente, mesmo que chova!!!
Agora a termos praticos:
Precisamos de divulgar desde já!
Madalena queres criar um texto curto e claro do que se pretende fazer?
Criar grupos locais, incitar o pessoal a fazer na sua cidade. (nas aldeias a coisa é menos visivel!)
Posso mandar para umas mailing lists e redes socias que conheço.
Quem quer criar o grupo em Lisboa?
Vai ser preciso autorizações... "toda a manisfestação publica, bla,bla!" Mas é facil, é só pedir na camara!

Madalinês disse...

Lamento, Ana, mas acho mesmo INEXEQUÍVEL para Dezembro de 2009, é muito "em cima"...!
Para ter impacto social e mediático, tem de ser EM GRANDE... não vai lá com "toldos", porque tinha de ser EM MASSA e são MUITAS TONELADAS DIÁRIAS MESMO...!!!

Sugestão: Vê o volume de negócios que a publicidade das grandes superfícies gera! - Pesquisa no site da Lisgráfica, por exemplo... A coisa é de uma dimensão astronómica e tem de ser exposta publicamente nessa sua dimensão... grotesca!!! Acho eu...

De contrário, seremos os gatos pingados que vamos fazer um gesto simbólico... Um papelão... (desculpa o trocadilho idiota) LOL!

ACHO UMA IDEIA TÃO BOA QUE NÃO PODE NEM DEVE SER PRECIPITADAMENTE DESPERDIÇADA, deve dar origem a uma acção mesmo muito bem feita... Quiçá terá impacto global, e outras cidades do mundo comecem a fazer a mesma coisa, como sucedeu ao movimento "CLEAN UP THE WORLD" em 2008, que já está em Portugal ainda em mais força com o "PROJECTO LIMPAR PORTUGAL"!!!

Acho, inclusivamente, que esta acção deveria ficar limitada a LISBOA e PORTO, para 2010: se limitarmos os objectivos, aumentamos muitíssimo as probabilidades de um enorme sucesso, mas tem de ser com calma e cabeça fria... :-)

Desculpa... Mas é o que eu penso...
(Porém o entusiasmo mora todo aqui em euzinha! 'Bora começar a pensar bem nisto!!!)

P.S. - Há anos que recolho papel rejeitado de vários prédios (nos tais cestos-à-porta que ficam ao critério das porteiras-que-não-vão-ao-ecoponto) da vizinhança e por onde passo, para tentar ser CARBONO ZERO (compensar as minhas emissões poluentes). Uso o meu carro como depósito, por vezes, e o destino é um ecoponto, claro... Sei, por experiência própria, nos meus músculos, quantos quilos de papelada são depositados diariamente num quarteirão... é um absurdo! (na maior parte dos casos, o "despejo" é superior, em número de exemplares distribuídos, ao dobro das fracções habitadas de cada prédio!!!)

Ana Loichot disse...

OK, Madalena.
Mas também não precisa de ser no Natal de 2010, pode ser a qualquer altura. Começamos a preparar agora as ideias, divulgar pelos sitios certos e avançar!

Madalinês disse...

A publicidade TRIPLICA (no mínimo) durante o mês do Natal, relativamente à média do resto do ano, pelo menos em Lisboa...
SE QUERES UMA ACÇÃO COM VOLUMES ELOQUENTES, tem de ser mesmo no Natal...! (Pergunta a quem vive em Lisboa actualmente, faz a tua própria sondagem, e depois corrige a minha perspectiva se não for essa a opinião unânime...)

Não é só por causa das compras de Natal, é por causa do subsídio de Natal também. Há mais dinheiro disponível, e as pessoas entram numa "onda de comprar" generalizada... Mas, por outro lado, há também o espírito natalício, e uma maior sensibilidade de todos para a monstruosa feira que o Natal se tornou... São os famosos "anticorpos" a funcionar, felizmente... :-)

voz a 0 db disse...

Todas são situações válidas desde o RSF à MANIF... mas que no fim não dão em nada. Porque em Portugal, como em outros países, nada se faz contra o Dinheiro...
Outra solução: enviem um email para a(s) empresa(s) que colocou a publicidade não endereçada a dizer que não vão efectuar compras nas lojas deles... se no fim não tiverem grandes superfícies onde comprar... AZAR!!! comprem no pequeno retalho, ou, tradicional como também lhe chamam... Por fim, façam o que diz a Lei, e apresentem queixa!!!

Ana Loichot disse...

Voz a O db, é esse tipo de "optimismo" que impedem este País de avançar, parabens!

voz a 0 db disse...

Concretize!!!

Ana Loichot disse...

Concretize o quê exactamente?
Eu já vivo em simplicidade voluntária à alguns anos, ponho o decrescimento em prática. Quer mais concreto?

Madalinês disse...

Agora "concretizo" eu...

Voz a 0 dB, até pelo seu nick, parece-me óbvio que opta pelo silêncio, isso é seu privilégio...
Se outras pessoas optarem por manifestar-se, optarem por tentar fazer ouvir a sua voz (que não a zero decibeis, um pouco mais acima, de preferência na gama de frequências do audível, à medida da capacidade vocal, da energia e da criatividade de cada um ou de "cada muitos"...), essa opção também é de respeitar, democraticamente, até porque a letra da lei ainda assegura a todos o que soi chamar-se "liberdade de expressão", não concorda?

Na minha modesta opinião, este equilíbrio de forças ainda pode resumir-se assim:
O Poder Político depende do Poder Económico para o financiamento dos partidos políticos, para satisfazer de "tachos" as clientelas que tem de servir para manter os frágeis equilíbrios do bipartidarismo, para gerar condições de proporcionar aos seus protagonistas "boas metas para as ambições pessoais" (pagamento em espécie) e/ou "boa qualidade de vida" (pagamento pecuniário), etc. O Poder Político existe, portanto, ajoelhado aos pés do Poder Económico (veja nisto a imagem que bem entender), há um fluxo contínuo de pessoas entre um e outro destes Poderes (vulgo promiscuidade), e a última coisa que o Poder Político quer fazer (pois receia mais tarde pagar a factura) é desagradar ao Poder Económico...
No entanto, por vezes quem dá a cara pelo Poder Político não tem mesmo outro remédio senão desagradar ao Poder Económico, pois o Homem Político, pessoalmente, ainda teme mais "ficar mal na fotografia", arruinar a sua imagem pública, tão arduamente conquistada e/ou criada (pelo mérito e/ou pelo marketing), desagradando às pessoas que poderão não o reeleger (apesar do marketing) - aliás, se o partido o considerar "queimado"/dificilmente-reelegível, põe outro candidato (que já está aos pulinhos, ansioso por que o 1º se "espalhe")...

Em muitas PESSOAS que dão a cara pelo Poder Político ainda existe uma utopia, uma vontade de mudar o sistema por dentro, de introduzir "viragens históricas" (até por vaidade e marketing pessoal, até como tentativa de ascender a outros patamares...).
E ainda são as PESSOAS que elegem as PESSOAS, embora condicionadas pela "orientação de massas" gerada pela Publicidade Política (marketing partidário só acessível àqueles com que o Poder Económico sabe que pode contar nessa "entente cordiale"...).
O pior do Poder Político não são os que "dão a cara", em meu entender... Esses, às vezes, nem chegam a saber de coisas, ou porque não lhes dizem, ou porque preferem ficar na ignorância...
O pior do "Sistema"´está nos bastidores, é uma massa cinzenta, disforme, tentacular, de sub-secretários de estado, presidentes de organismos públicos obscuros, miríades de assessores e de administrativos, deputados invisíveis e inaudíveis, etc... São os famosos "boys in the jobs-for-the boys" (também há "girls"), mas sobretudo uns, mais poderosos e antigos, raposas matreiras, que, tendo um poder estrutural no sistema, vão criando dificuldades estruturais ao que é inconveniente ao Poder Económico, e assim asseguram que tudo vai mudando só o mínimo indispensável para que tudo possa tranquilamente continuar cada vez mais na mesma!

(continua)

Madalinês disse...

(continuação)

O enigmático desaparecimento do autocolante "Publicidade Aqui Não" das estações dos CTT, onde eram distribuídos gratuitamente, é um flagrante exemplo destes processos de resistência na retaguarda do Sistema Político, e da sua completa vassalagem ao Poder Económico!
...E os distribuidores de publicidade não endereçada - não me admiro se houver já licenciados entre eles - são os novos "escravos", a mole dos "precaríssimos", dos "fregilíssimos", já em desespero-de-subsistência, posta a infrigir activamente a lei e a atentar contra os direitos consagrados dos OUTROS cidadãos. (O Poder Económico nunca suja as mãos, paga a quem está disposto a sujá-las, a todos os níveis...!)

Resumindo e concluindo, QUANDO AS QUESTÕES SÃO IMORAIS E AS PESSOAS SE MOBILIZAM EM MASSA, O PODER POLÍTICO CEDE, ou melhor, as pessoas da política (que têm o poder de decisão conferido pelo voto) juntam-se às pessoas da Opinião Pública (as que votam, embora cada vez menos...)! ...Também porque o "medo da opinião pública" serve de alibi ao Poder Político quando vai "prestar contas" ao Poder Económico...! (Às vezes, estas pessoas, por estranho que possa parecer, estão desesperadamente à procura de uma "desculpa" dessas para poder actuar sem hostilizar o sistema unilateralmente...!)

Um exemplo à escala internacional: A questão de Timor teve o bom desfecho que se sabe porque a opinião pública deu um forte empurrão, mas não só... Algumas pessoas íntegras que tinham Poder Político nessa altura tiveram muita coragem, creio... (Uma delas, enquistou-se, deixou-se expurgar pelos interesses instalados em Portugal, e foi fazer coisas para o ACNUR... espero vê-lo, um dia como Secretário-Geral da ONU, ...e que não lhe aconteça um "acidente" como o que vitimou Sérgio Vieira de Mello, quem Kofi Annan queria que lhe viesse a suceder, conheci-o lá, em Timor Loro Sae, pessoa extraordinária...)
...Estou firmemente convicta de que o que virou o rumo das coisas foi que alguém se lembrou de dizer aos EUA que a opinião pública em Portugal, se eles não tomassem providências, se iria opor em massa à posterior utilização da Base das Lages, e talvez a NATO também viesse a ser posta em causa... (Modéstia à parte, eu também me lembrei dessa possibilidade nessa altura, e fiz uma veemente gravação áudio que passou na rubrica "Viewers Comments" da CNN - "The portuguese public opinion will not tolerate any further use of the Military Base in the Azores unless strong measures are taken by the United States to make Indonesia comply with international law and leave East Timor at once! (etc.)"

Isto é o que eu acho, não sei se "concretizei" bem, divagando um pouco, ou talvez não...
O que é certo é que considero indispensável, agora e sempre, QUE AS CONSCIÊNCIAS E AS VONTADES SE REÚNAM PARA ACENDER FOGUEIRAS NA NOITE! :-)

Outros, se quiserem guardar um silêncio (reprovador, prudente, indiferente, ou até desistente), e ficar em meditação (ou não), estão no seu direito... Tenho dito.

P.S. - O que faria, se alguém lhe oferecesse um megafone? (LOL)

voz a 0 db disse...

Concretize "é esse tipo de "optimismo" que impedem este País de avançar"
De qualquer forma acho que só lhe faz bem viver em simplicidade voluntária.
Desde que se sinta/seja feliz, que afinal é tudo o que interessa.

voz a 0 db disse...

Já agora o "voz a 0 db" é a concretização da intensidade sonora da minha voz neste meio "a Internet"
Nada mais que isto...

Madalinês disse...

Agora um ÀPARTE FUTUROLÓGICO:

Acho que esta coisa da "papelada publicitária" vai acabar a breve trecho, visa um segmento de mercado que tem capacidade económica e tempo, mas está arredado das novas tecnologias...

A breve trecho, a publicidade altamente intrusiva vai chegar-nos por via electrónica, estou crente. Será um horror, certamente, mas com muito menor impacto ambiental...
Aliás, a dimensão avassaladora que esta estratégia publicitária está atingir (também para servir a "malta da celulose"...), em conjugação com o aumento da utilização dos ecopontos nos grandes centros urbanos, está a fazer concerteza "ganir" os organismos recicladores (que devolvem a papelada-lixo à mesma "malta da celulose", agora na versão ecológica, maquilhada de "100% reciclado"...)!
Assim circulam as matérias-primas e o dinheiro, através de nós, ciclicamente... Mas esta coisa da papelada está à beira da ruptura "per se", bastará dar um "empurrãozinho" para que acabe mais depressa e de vez!!! Vamos a isso!

Madalinês disse...

Então, se assim é, e congratulo-me que assim seja (já desconfiava, aliás), "Voz a 0 dB", lamento, mas terá de arranjar outro "nick", para não induzir em erro e para não contradizer o óbvio.

A sua afirmação "NADA SE FAZ CONTRA O DINHEIRO" (sic) RESSOOU E MUITO...! ...Os ecos ainda se sentem a esta hora...! :-)

Cumprimentos alto-e-bom-som!

voz a 0 db disse...

Subtileza... é o "nick" perfeito!!!
Abr

Anônimo disse...

Lembrei-me que talvez pudesse ser feita uma petição online, 6000 subscritores bastam, para ser discutida na Assembleia da República a hipótese de inverter a lei actual.
Isto é, por defeito passaria a ser proibido colocar publicidade não endereçada nas caixas de correio, quem a pretendesse colocaria um autocolante a autorizar.

Cumprimentos.

anita disse...

Só gostava de saber como é que provamos que mesmo com o autocolante, a caixa de correio está invadida de publicidade que não queremos. E a quem nos dirigimos? levo os folhetos publicitários a essa entidade? e como é que posso provar que de facto eles estavam na minha caixa do correio?